quarta-feira, 15 de abril de 2009

Comic books vs TPBs

Desde que deixei de acompanhar as minhas personagens preferidas apenas em TPBs e regressei às assinaturas de comic books, que me debato com vários dilemas.
Um deles, o que suscita hoje este desabafo, prende-se com a forma de ler as histórias. Como ler um arco? Ler número a número da revista, cada parte da história à medida que ela vai saindo? Ou esperar que todos as partes de dado arco tenham sido publicadas e só então ler todos números de enfiada?
Não sei qual o costume que predomina. Sei de pessoas que optam pela segunda alternativa; eu normalmente vou acompanhando as histórias mês a mês.
Contudo, como me apercebi de um dos principais defeitos desta opção - já não me lembrar do episódio anterior quando chega o novo -, experimentei a segunda alternativa.
Recebi ao mesmo tempo os JSA #23 e 24 e, faltando apenas o JSA #25 pensei: "vou aguardar um mês e depois leio a história completa de uma assentada". Mas a experiência não correu bem. Comecei a sentir saudades das personagens (sim, eu sinto saudades das personagens, por estranho que possa parecer!) e não resisti a ler as duas partes que já tinha.
E resolvi fazê-lo também porque comecei a matutar nesta questão e a pensar que esperar até ter um arco completo para poder ler os comics era muito parecido com esperar pelos trades (ou pelos hardcovers). E como foi por não querer esperar pelos trades e para poder acompanhar o desenvolvimento das histórias mensalmente que tinha decidido voltar a coleccionar comic books em detrimento dos trades, achei que não fazia sentido ter ali os comics parados à espera que eu os lesse. Cedi ao seu apelo e li-os.
Se me arrisco a voltar a sentir que quando leio um novo número já não me recordo bem do que está para trás? Arrisco, sim senhor. Mas a piada também está aí, uma vez que depois dessa experiência, posso saborear os mesmos comics de uma forma diferente relendo toda a história de fio a pavio. Os comics tornam-se, assim, ainda mais parecidos com séries de tv: os episódios são vistos espaçadamente e nem sempre nos lembramos do que aconteceu antes; mas no fim temos a oportunidade de reler todo o arco, como quem vê uma temporada de uma série depois de editada em DVD!

domingo, 12 de abril de 2009

Não se pode dizer que o balão de fala tenha tido muita atenção nos últimos tempos, ao contrário da ideia que esteve na sua génese. Mas tal não significa que tenha andado parado nas minhas leituras. Aliás, diria mesmo que tenho lido mais nos últimos tempos do que é normal.
Este fim-de-semana pascoal, por exemplo, prestou-se a fazer muitas leituras. Concretamente, 3 TPBs: X-Men: Emperor Vulcan, X-Men: Golgotha e JSA: Fair Play.
Apenas o Golgotha foi uma releitura e, como sempre que se relê um arco, fica-se com uma noção mais clara da sua qualidade (para o bem ou para o mal). Se reler arcos da autoria do Chris Claremont redunda invariavelmente em decepções, neste caso o argumentista Peter Milligan continua a agradar. Não será a melhor história dos X-Men, mas está num bom nível por várias razões: porque consegue tornar o Havok uma personagem muito interessante (o que frequentemente não acontece); porque torna credível e suportável a relação entre ele e a Polaris; e porque vai buscar a participação da Emma Frost (sim, sempre a Emma Frost...).

Mas a melhor leitura desta leva foi, sem dúvida, o JSA. Trata-se do 4.º volume dos TPBs que compilam toda a série que antecedeu a actual Justice Society of America e o primeiro da exclusiva autoria de Geoff Johns, este senhor de quem já não espero senão história óptimas.
É diferente ler um conjunto de histórias de um ponto recuado na cronologia desta equipa de super-heróis e sabe muito bem. Não se tem a urgência de ler a coisa mal ela está a acontecer na cronologia mais alargada do Universo DC; lê-se a história por ela mesma, pelo prazer de testemunhar o crescimento e desenvolvimento de certas personagens, mesmo quando já se sabe no que se tornaram ou por que outras aventuras passaram desde então para cá (por as acompanharmos no presente).

Valeu a pena, como acreditava, a compra de um volume de histórias antigas (pode ser um exagero, visto tratarem-se de histórias de 2001 e 2002, mas isso também é relativo) e estou decidido a completar a minha colecção de TPBs de JSA.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Batman # 684 e Detective Comics #851: Last days of Gotham

Denny O' Neil é considerado, no universo de apreciadores de Batman, um mestre das histórias do cavaleiro das trevas e, porventura, com justiça. A história Last Days of Gotham, apresentada nestes dois números foi o meu primeiro contacto com a sua escrita e, neste momento, inclino-me a concordar com a opinião generalizada. A primeira história do Batman sem o Batman, após o que quer que lhe tenha acontecido na Final Crisis (que ainda não li), foi tão ou mais rica como algumas das suas histórias onde ele esteve presente.
Não foi preciso mais do que uma narrativa "simples" e dois intervenientes fundamentais: Nightwing e Millicent Mayne.
A história é contada de forma linear, sem voltas e reviravoltas que às
vezes só confundem.
Quanto aos protagonistas, Nightwing é apresentado como o substituto natural a quem recorrer na falta do seu mentor e, nesse processo, revela-se a importância que o Batman tem para a definição do Nightwing e evidencia-se também por que razão não pode ser ele assumir o manto do morcego - Nightwing é uma personagem distinta do Batman, nasceu deste mas desenvolveu-se e afirmou-se num caminho próprio; tem aspectos que, sendo fortes para o Nightwing, para o Batman seriam fragilidades.
Millicent Mayne é, e espero que se confirme em breve numa mini-série já anunciada, uma extraordinária adição ao universo de Gotham - uma personagem humana que personifica a própria cidade de Gotham, as suas dores e tristezas, alegrias e conquistas, tem tanto de místico como de comovente e imenso potencial para as histórias do "batuniverso".
Na arte, Guillem March f
oi outra agradável descoberta. Não conhecia nenhum trabalho seu, mas correspondeu muito bem com o que considero ser um estilo gráfico apropriado às histórias do Batman. Espero que tenha também agradado às altas figuras da DC e que tenha oportunidade de mostrar o seu talento nestes títulos mais vezes.

domingo, 4 de janeiro de 2009

JLA #27 e o regresso de personagens desaparecidas

Entre um panorama desolador de histórias ensossas que Dwayne McDuffie nos tem trazido, eis que o número 27 me surpreendeu com uma história de fazer aguardar com expectativa a próxima edição. O regresso das personagens do Universo Milestone prometia e, nesta primeira parte, não desiludiu, mesmo apesar de as personagens em questão serem apresentadas de forma algo dúbia aos leitores que, muitos deles, não os conhecerão muito bem (e é o meu caso). Não se percebe bem de que lado se encontram, mas haverá oportunidade para clarificar tudo isso na próxima edição, com certeza.
Até agora, no entanto, o que considero o melhor deste número é o regresso da Dr. Light, mais uma personagem dos anos 80 a ser recuperada neste final da primeira década do século XXI. O revivalismo que se tem vindo a fazer sentir não me desagrada, especialmente quando se trazem de volta personagens que nos últimos anos têm andado praticamente desaparecidas e que eu conheci apenas de forma muito superficial no meu primeiro contacto com os comics americanos já lá vai uma dúzia de anos, ainda por via das revistas da Abril. A Dr. Light é por isso um regresso refrescante: uma oportunidade de rever uma personagem com quem simpatizei mas que não tive oportunidade de conhecer muito bem, agora à luz das histórias mais negras e psicológicas que caracterizam os Comics dos nossos tempos e não das histórias ingénuas e até simplórias dos anos 80.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A frase de... Secret Invasion X-Men #3

(No momento do regresso à vida, depois de uma batalha psíquica no psi-blockade dos Skrull que a deixou temporariamente como morta, uma reacção tipicamente de Emma Frost.)

Cyclops: You died for a moment.

Emma Frost: Did I --? How very Jean Grey of me. I'll try not to do it again.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Uma agradável surpresa: Teen Titans Year One

Ou talvez não tenha sido assim tanto, pois a equipa criativa envolvida anunciava, pelo menos ao nível da arte, algo de qualidade superior.
Quando foi anunciada a série Teen Titans: Year One decidi ter paciência e esperar pelo TPB que reúne os 6 números.

A curiosidade foi muita, pois a arte dos artistas responsáveis por esta série - Karl Kerschl, Serge Lapointe e Steph Peru - é mesmo apelativa e já tinha tido o prazer de contactar com ela, por exemplo em All-Flash #1 e em Flash: the fastest man alive, mas achei que estas séries Year One, em que a DC tem vindo a apostar recentemente, valem a espera para serem guardadas em TPB (tive recentemente outra agradável surpresa com o Metamorpho: Year One TPB). E embora o argumento possa não ser do mais interessante que já vi - talvez um pouco elementar de mais para o meu gosto (mas enfim, é uma história dos Teen Titans nas suas origens - alguma ingenuidade e simplicidade faziam sentido...) - a arte não desapontou minimamente.
Num estilo cartoony que associaria facilmente a séries de animação televisivas, as personagens ganham vida pela cor exuberante e pelas linhas estilizadas mas agradáveis, que conferem expressividade aos rostos, oferecendo-nos a espaços sequências verdadeiramente cómicas que tornam uma gargalhada inevitável.
Embora se possa alegar que nada disso aconteceria se o argumento não fosse bom à partida, julgo que o talento destes artistas é fundamental para fazer sobressair o que o argumento tem de melhor: a jovialidade de (pretendentes a) super-heróis que são ao mesmo tempo adolescentes.
Não sendo um épico de tirar fôlego, correspondeu muito bem às expectativas que eu tinha. Por essa razão, não posso dar-lhe menos do que 8 valores em 10.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A arte de Damion Scott em DC Special presents: Raven.

A leitura desta mini-série parecia estar comprometida, uma vez que, depois de ter lido um #1 que apresentou uma arte que desiludiu bastante, o #2 falhou a entrega. Ao fim de longo meses, a espera foi recompensada: o #2 apareceu finalmente e com ele a possibilidade de ler o resto da série (#2-5) de uma assentada só. E digo que valeu a pena, na medida em que, ao nível do argumento, Marv Wolfman - que porventura conhece a Raven melhor do que ninguém (já que a criou) - produziu uma história tipo "high school" (devido ao novo status quo da Raven), mas que apresenta a Raven no tom soturno e angustiado que sempre associei a esta personagem (e que outros argumentistas nem sempre atingem).

O que desde o início tinha deixado a desejar era a arte de Damion Scott e parece-me que, para conseguir apreciá-la minimamente, só mesmo lendo a série toda de seguida. Só assim tive tempo para me habituar ao seu registo excessivamente "cartoony". Não que esse tipo de registo seja mau, uma vez que há outros artistas que trabalham mais afastados do registo realista com assinalável sucesso (estou a pensar em Karl Kerschl, por exemplo). Mas o estilo de Damion Scott, neste trabalho, peca por ser demasiado caótico (as personagens chegam a parecer distorcidas) e por ter não conseguir representar muito bem a profundidade, o que torna as cenas muito "espalmadas" e caóticas e, até que nos habituemos à sua arte, acrescenta dificuldade em compreender a própria história.
No entanto, tomada em consideração a dimensão psicológica de toda a história (com várias cenas passadas no plano psíquico) e da Raven (os seus poderes são de natureza empática), acabei por achar que o estilo do desenhador se adequa
bastante e, no fim de ler a mini-série toda, a impressão negativa inicial não se mantinha: é diferente, não necessariamente má.
Dito isto, ressalvar que a arte de Damion Scott nesta mini continua a não se posicionar muito bem na minha escala pessoal de qualidade - um 4 em 10.